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Coleção MAC Niterói: arte contemporânea no Brasil


[26 de dezembro de 2017]



Comemorando os 21 anos do MAC e a chegada de uma nova direção, a presente exposição reúne obras da coleção do MAC – muitas delas nunca foram expostas antes no museu. O MAC é reconhecido por ter em comodato a coleção Sattamini, mas ao longo de sua história também formou sua própria coleção, constituída por quase 600 obras, a maioria delas doada pelos próprios artistas. Nesse sentido, essa exposição foi pensada a partir de uma pequena intervenção curatorial que, mesmo que crie uma narrativa histórica, pretende mais compartilhar com o público parte significativa dessa importante coleção de arte contemporânea no Brasil.

As obras estão organizadas sobre as paredes a partir de relações temáticas/cronológicas: a primeira parede apresenta obras dos anos 50 e 60 que marcam a transição da representação à abstração; a segunda apresenta obras que utilizam linguagens conceituais desenvolvidas a partir dos anos 60 e 70; a terceira parede apresenta o clímax da pintura neoexpressionista carioca e paulista nos anos 80; a quarta parede apresenta propostas a partir dos anos 90, em sua maioria de mulheres, e a aparição de discursos que podem ser relacionados ao pós-feminismo e às questões de gênero; finalmente, a última parede apresenta propostas contemporâneas realizadas, em sua maioria, a partir dos anos 2000. As obras na parede são complementadas na sala de exposição com material de arquivo, esculturas e instalação representativas destes períodos e que contribuem com uma sobreposição de diferentes períodos da história da arte no Brasil.

O fato de apresentar uma coleção serve para questionar os critérios com os quais ela foi formada, neste caso uma coleção construída em grande parte pela generosidade dos artistas e que sinaliza a necessidade de reflexão institucional quanto a uma política de aquisições – dado constante a diversos museus do Brasil. Indo além da acumulação de capital simbólico, cultural e econômico que significa uma coleção, esta exposição também é uma oportunidade de pensar qual é a função de uma coleção no MAC, quais são as ausências dentro dela, e quais poderiam ser as estratégias futuras para construir e ativar esta coleção. No caso de uma coleção pública como esta, a pergunta é como ela pode funcionar não só como uma acumulação de objetos estéticos para contemplação e compreensão de uma história da arte, mas também como ferramenta crítica que possam colaborar na formação de uma cidadania crítica, participativa e respeitosa da diversidade e com pensamento comunitário.





(texto curatorial escrito com Pablo León de la Barra e relativo à exposição coletiva "Coleção MAC-Niterói: arte contemporânea no Brasil", realizada no MAC-Niterói entre 24 de junho e 15 de outubro)
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