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Vaivém


[21 de maio de 2019]



Conhecemos bem a sensação de deitar em uma rede de dormir: enquanto nos ajeitamos em sua estrutura mole, ela nos acolhe. E, na medida em que o corpo se instala, a rede se movimenta nos embalando com seu vaivém característico. Como e quando essa sensação de acolhimento se tornou sinônimo de pertencimento identitário? “Vaivém” está estruturada em seis núcleos temáticos e transhistóricos que trazem documentos e obras produzidas por artistas e intelectuais que ditam as permanências e rupturas das imagens das redes de dormir na arte e cultura visual no Brasil. Para além da relação antropológica que temos com as redes, a exposição se configura como uma oportunidade de olharmos essas representações em uma perspectiva crítica. Apenas a pesquisa e análise de imagens bilita compreender o processo de formação de um senso comum. Dessa maneira, no futuro, quando estivermos no vaivém de uma rede saberemos que se trata de um objeto que possui uma trajetória.

Conhecemos bem a sensação de deitar em uma rede de dormir: enquanto nos ajeitamos em sua estrutura mole, ela nos acolhe. E, à medida que o corpo se instala, a rede se movimenta, embalando-nos com seu vaivém característico. Como e quando essa sensação de acolhimento se tornou sinônimo de pertencimento identitário?



Assim como a rede envolve o corpo, o objeto e suas representações iconográficas acolheram discursos com intenções não raramente contraditórias. Longe de reforçar os estereótipos da tropicalidade, esta exposição investiga suas origens: ao revisitar o passado, conseguimos compreender como um fazer ancestral criado pelos povos ameríndios foi apropriado pelos europeus e, mais de cinco séculos após a invasão das Américas, ocupa um lugar de destaque no panteão que constitui a noção de uma identidade brasileira.

Vaivém está estruturada em seis núcleos temáticos e trans-históricos que trazem documentos e obras produzidas por artistas e intelectuais que ditam as permanências e rupturas das imagens das redes de dormir na arte e cultura visual no Brasil. Além da relação antropológica que temos com as redes, a exposição configura-se como uma oportunidade de olharmos essas representações com uma perspectiva crítica.



Apenas a pesquisa e a análise de imagens criadas por agentes tão diversos nos possibilitam compreender o processo de formação de um senso comum. Dessa maneira, no futuro, quando estivermos no vaivém de uma rede, saberemos que se trata de um objeto que possui uma trajetória que balança entre as histórias do Brasil e a relação afetiva de cada um de nós.


(texto curatorial da exposição coletiva "Vaivém", realizada nas quatro unidades do Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte - entre maio de 2019 e maio de 2020)
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